Fábio Marcondes, vice-prefeito de Rio Preto, foi indiciado
por injúria racial pela Polícia Civil nesta quinta-feira. Ele é acusado de
chamar o segurança do Palmeiras, Adilson Antônio de Oliveira, de "macaco
velho" durante uma discussão após uma partida entre Mirassol e o clube
alviverde, no dia 23 de fevereiro deste ano.
Após mais de cinco meses de investigação, o inquérito
concluído pelo delegado Renato Camacho utilizou artifícios da inteligência
artificial, por meio do Centro de Inteligência Policial, para confirmar
que o político realmente disse "macaco velho" e não "paca
veia", como apontado por dois laudos elaborados pelo Instituto de
Criminalística de São Paulo. O documento ao qual a CBN teve acesso revela a
transcrição das falas feitas pela IA, que apontam que Marcondes disse
"macaco velho" para o segurança, além de outros insultos como
"lixo".
A fala racista, no entanto, foi contestada duas vezes pelo
Instituto de Criminalística, primeiro em um laudo inicial e depois em um laudo
complementar, solicitado pelo delegado responsável pelo caso. Além disso,
outros dois laudos particulares, contratados pela Sociedade Esportiva
Palmeiras, apontam que Marcondes, de fato, chamou Adilson de "macaco
velho" durante a discussão.
Quando ouvido pela polícia, o político negou ter sido
racista, mas não comentou sobre o uso das expressões "paca veia" ou
"macaco velho".
O caso teve grande repercussão, tanto no esporte quanto na
política. Após a gravação ser amplamente divulgada, Marcondes foi exonerado do
cargo de secretário de Obras de Rio Preto e pediu licença do cargo de
vice-prefeito, alegando motivos de saúde. Contudo, 20 dias depois, ele retornou
ao cargo de vice-prefeito e foi reconduzido à Secretaria de Obras no final de
maio.
A CBN entrou em contato com a defesa dos envolvidos. Euro
Filho, advogado de Adilson Antônio de Oliveira, segurança do Palmeiras, disse
estar aliviado com o novo passo da investigação, destacando o uso da
inteligência artificial para transcrever as falas como um avanço. Já a defesa
de Marcondes expressou extrema preocupação com o indiciamento, que se baseia em
relatórios de inteligência artificial não homologados como meio pericial,
substituindo laudos oficiais do Instituto de Criminalística que não confirmaram
a acusação. Alega que o delegado, insatisfeito com os laudos, utilizou
ferramentas não validadas, gerando insegurança jurídica. O caso agora segue
para o Ministério Público.